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23 de Outubro de 2019

A valorização do estagiário de Direito

Estagiário sendo pouco valorizado acaba formando advogados frustrados.

Igor Leite, Advogado
Publicado por Igor Leite
há 2 anos

Olá pessoal, tudo bem com vocês? Feliz 2018!

Gostaria de começar o ano levantando uma discussão que considero bastante relevante. Eu estava lendo um desses grupos de facebook para advogados iniciantes e me deparei com um post que perguntava qual era o valor da bolsa que os advogados costumavam pagar para seus estagiários. Algumas respostas me espantaram!

Vejo centenas de advogados, todos os dias, reclamando da baixa valorização do seu trabalho. "As pessoas não querem pagar advogados, querem consultas de graça, acham que advogado não estudou, acham que advogado não paga conta."

Eu, enquanto estudante de direito, procurei me aprofundar sobre esse assunto e entender um pouco melhor os motivos disso acontecer, e o martelo que mais bate na minha cabeça é: O advogado valoriza o futuro advogado?

Nesse grupo que eu relatei, vi respostas que me fizeram acreditar que nem o próprio advogado valoriza a sua classe. Coisas do tipo:

Pago apenas o transporte, estágio tem que ser voluntário.

Será este, o mesmo advogado que acha um absurdo responder uma dúvida jurídica?

Ofereço bolsa de R$ 300,00. Tem gente que faz de graça.

E teve algumas outras barbaridades, que me fizeram ver a raíz do problema para valorização da classe de advogados no nosso país. Senhores advogados, a valorização do advogado começa de cedo. Valorize o seu estagiário!

Por favor, comentem! Você já estagiou e se sentiu desvalorizado? Você advogado, valoriza o seu estagiário? O que podemos fazer para valorizar mais a classe de advogados no Brasil?

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24 Comentários

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Acho que a questão de valorização do estagiário em particular vai além da remuneração.

Um estagiário que ganha R$ 300,00 como auxílio para transporte mas tem acompanhamento sério e dedicado de seu supervisor, a tutoria decente de um profissional, investimento em aperfeiçoamento e capacitação, incentivo para participar de eventos e autonomia relativa para desenvolver um bom trabalho e propor ideias pode ter um ativo muito melhor do que apenas o dinheiro no bolso.

O grande problema é que os escritórios não querem estagiários, mas mão-de-obra barata para o serviço "sujo". Isso acaba frustrando o jovem profissional e contribuindo para a reprodução do modelo de "estagiariocracia" que se tem hoje.

É uma pena. Mas o estágio é uma via de mão dupla. Um oferece seu comprometimento em troca de aprendizado. Infelizmente não são todos que pensam assim... continuar lendo

É verdade galvis! Nem me atentei a este ponto, fiquei tão abismado na questão da remuneração que esqueci esse outro lado da moeda. Boa contribuição! continuar lendo

Se desse tudo o que seu exemplo cita... Só querem exploraçao mesmo. Eu fui em uma entrevista outro dia, e me foi perguntado a expectativa sobre a vaga. Aí depois que eu falei que queria aprender e tal, o entrevistador me disse que o trabalho era outro. Que era pra atender clientes do escritório, que se eu fechasse o contrato, receberia uma % ao término do processo.
É assim que fazem com o estagiário. Não querem ensinar. Querem mão de obra barata, com serviços que nada tem a ver. E cadê a OAB pra fiscalizar isso? A OAB só quer saber de receber a anuidade. continuar lendo

Quanto a valorização do estagiário, vejo isso como um problema bem generalizável. Também sou do Direito, mas sei que jovens, como um todo, muitas vezes têm opiniões/posicionamentos/trabalho desmerecido simplesmente por serem mais novos, o que requer uma mudança estrutural da visão que se tem de juventude e mesmo de trabalho. Sou otimista nesse ponto, acredito muito que essa mudança tem ocorrido e sido catapultada por uma realidade exponencial e o avanço dos setores da tecnologia, o que tem colocado (com certeza ainda numa escala muito menor do que a ideal) a visão de jovens em um patamar relativamente próximo ao de outras pessoas.

Quanto ao estagiário do Direito, entendo o problema como uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo que temos uma desvalorização, temos também um certo glamour e soberba típicos da classe jurídica. Pra mim, esse paradoxo tem muito a ver com um histórico elitista da classe ("por favor, me chame de doutor") que influenciou uma crença de que fazer Direito seria uma promessa de ascenção social e fez o número de faculdades de Direito do Brasil subir de cerca de 300 há 15 anos atrás pra mais de 1200 hoje. Isso, é claro, não exime o fato da desvalorização do estagiário do Direito ser um problema, só não sei se posso ser tão otimista nesse ponto quanto no primeiro, porque com um número de 1,1 milhão de advogados (sendo 33 mil estagiários) cadastrados na OAB, o profissional do Direito vai ter que se reinventar drasticamente para conseguir ser efetivamente valorizado, estagiário ou não. continuar lendo

@kadurmourao é isso mesmo! Os setores de tecnologia realmente tendem a valorizar o trabalho do jovem profissional, concordo com você! Felizmente essas empresas mais joviais estão abrindo espaço para os jovens advogados e estudantes de direito. O X da questão que eu quis trazer á tona foi: Como que o advogado pode reclamar da baixa valorização que a profissão tem, se ele mesmo não valoriza o advogado que esta em formação? É um paradoxo né? hahaha

Abraço! continuar lendo

Boa tarde, na verdade não adianta o Advogado reclamar de baixos salários ou honorários, se o mesmo não valoriza a classe, exige muito do estagiário e não valoriza com dignidade, retribuindo com um valor de bolsa digno, para que o estagiário cumpra com seu dever de anuidade com a Ordem e também possa se dedicar mais ao aprendizado adquirindo bons livros e dedicando seu tempo com novas habilidades, cursos extracurriculares, que são caros. Uma boa formação depende de dedicação, empenho, mas também de dinheiro. continuar lendo

Fiz estágio durante praticamente todo o meu curso e nunca me senti desvalorizada. Não pela remuneração da bolsa, mas sim pelos bons profissionais que me acompanharam.
É claro que na época em que eu estagiava, era excelente ter a remuneração, mas na minha opinião, com isso, o estágio foi perdendo o seu objetivo real: O APRENDIZADO! Virou uma forma de "mão de obra barata" para os que contratam e um "meio de vida" para os que trabalham, quando na verdade deveria servir para o estudante aprender e vivenciar a sua profissão em seus diferentes âmbitos.
Eu acredito que o estágio devia sim ser voluntário, mas não, de forma nenhuma, com a carga horária e responsabilidade que é hoje.

E sobre a valorização do advogado, acredito que a própria classe se desvaloriza.
Certa vez participei de um site de correspondente e nunca era chamada para as diligencias. Eu sempre colocava meu preço conforme a tabela.
Quando precisei de um correspondente, enviei a diligencia para o mesmo site e para o meu espanto, os próprios advogados/bacharéis/estudantes, se "vendiam" por um preço ínfimo! Daí cheguei a conclusão que não necessariamente são os clientes que nos desvalorizam, mas muitas vezes os nossos próprios colegas o fazem... continuar lendo

Com certeza se perdeu! Acredito que o Estágio tenha origens nas Corporações de Ofício da Idade Média em que uma pessoa adentrava gratuitamente na corporação para aprender de verdade. continuar lendo